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27 de fev. de 2010

AGOSTINHO: NO ALVORECER DA VIDA!!! ....retirado do livro CONFISSÕES


No alvorecer da vida
Permiti, porém, que "eu, pó e cinza", fale à vossa misericórdia. Sim, deixai-me falar, já que à vossa misericórdia me dirijo, e não ao homem que de mim pode escarnecer.
Talvez Vos riais de mim, mas aplacado, compadecer-Vos-eis.
Que pretendo dizer, Senhor meu Deus, senão que ignoro donde parti para aqui,
para esta que não sei como chamar, se vida mortal ou morte vital? Receberam-me na vida as consolações da vossa misericórdia, como ouvi contar aos pais da minha carne, de quem e em quem me formastes no tempo, que eu de nada disto me lembro. Saboreei também as doçuras do leite humano. Não era minha mãe nem as minhas amas que se enchiam a si mesmas os peitos de leite. Éreis Vós, Senhor, que, por elas, me dáveis o alimento da infância, segundo os vossos desígnios e segundo as riquezas que depositastes até no mais íntimo das coisas.
Também fazíeis com que eu não desejasse mais além do que me dáveis; permitíeis
às amas que me quisessem dar o que lhes concedíeis: movidas por afeição ordenada,desejavam dar-me aquilo em que, graças a Vós, abundavam. O meu bem, recebido delas, constituía para elas igualmente um bem, não que delas proviesse, porque eram apenas o instrumento e não a origem: de Vós, Senhor, me acorrem todos os bens e toda a salvação.
Isto conheci, algum tempo mais tarde, falando-me Vós por meio destes mesmos dons que interior e exteriormente concedeis. Então, nada mais fazia senão sugar os peitos, saborear o prazer e chorar as dores da minha carne.
Em seguida comecei também a rir, primeiro, enquanto dormia, depois,
acordado. Destas minhas ações me informaram, e acreditei, porque assim o vemos fazer às outras crianças, pois nada me lembra do meu passado decorrido nesse tempo.
A pouco e pouco, ia reconhecendo onde me encontrava. Queria exprimir os meus
desejos às pessoas que os deviam satisfazer e não podia, porque os desejos estavam dentro e elas fora, sem poderem penetrar-me na alma com nenhum dos sentidos.

7 de fev. de 2010

EXTRAIDO DO LIVRO CONFISSÕES (AGOSTINHO)


Senti e experimentei não ser para admirar que o pão, tão saboroso ao paladar saudável, seja
enjoativo ao paladar enfermo, e que a luz, amável aos olhos límpidos, seja odiosa aos olhos doentes.


Criastes-nos para Vós e o nosso coração vive inquieto, enquanto não repousa em Vós.

Cantando as perfeições de Deus

Que sois, portanto, meu Deus? Que sois Vós, pergunto, senão o Senhor Deus?
"E que outro Senhor há além do Senhor, ou que outro Deus além do nosso Deus?" Ó Deus tão alto, tão excelente, tão poderoso, tão onipotente, tão misericordioso e tão justo,tão oculto e tão presente, tão formoso e tão forte, estável e incompreensível, imutável e tudo mudando, nunca novo e nunca antigo, inovando tudo e cavando a ruína dos soberbos, sem que eles o advirtam; sempre em ação e sempre em repouso; granjeando sem precisão; conduzindo, enchendo e protegendo, criando, nutrindo e aperfeiçoando,buscando, ainda que nada Vos falte.
Amais sem paixão; ardeis em zelos sem desassossego; arrependeis-Vos sem ato doloroso; irais-Vos e estais calmo; mudais as obras, mas não mudais de resolução; recebeis o que encontrais, sem nunca o ter perdido.
Nunca estais pobre e alegrais-Vos com os lucros; jamais avaro, e exigis com usura.
Damo-Vos mais do que pedis, para que sejais nosso devedor; mas quem é que possui coisa alguma que não seja vossa? Pagais as dívidas, a ninguém devendo, e perdoais as dívidas, sem nada perder. Que dizemos nós, meu Deus, minha vida, minha santa delícia,ou que diz alguém quando fala de Vós?... Mas ai dos que se calam acerca de Vós, porque, embora falem muito, serão mudos !

31 de jan. de 2010

DEUS (definido por Agostinho) - Extraido do Livro Confissões


Agostinho concebe a unidade divina não como vazia e inerte, mas como plena,
viva e guardando dentro de si a multiplicidade. Deus compreende três pessoas iguais e consubstanciais: Pai. Filho e Espírito Santo. O Pai ê a essência divina em sua insondável profundidade: o Filho é o verbo, a razão ou a verdade, através da qual Deus se manifesta:

o Espírito Santo é o amor. mediante o qual Deus dá nascimento a todos os seres.
A teoria da criação do mundo manifesta claramente a originalidade do pensamento cristão diante da filosofia helênica. Os gregos sempre conceberam o mundo como eterno e Deus, para eles. seria o artífice que trabalha um material incriado e é capaz de dar forma ao que sempre existiu e sempre existirá. Deus criaria apenas a ordem, transformando em cosmo o caos originário. Muito diferente é a concepção cristã formulada por Agostinho, para quem Deus, por sua própria essência trina, é criador de todos os seres, a partir de nada além dele e como conseqüência apenas de seu amor infinito. Deus não seria um artista que dá forma a uma certa matéria; seria o criador de todas as formas e todas as
matérias.

20 de jan. de 2010

O conhecimento: Extraido do livro confissões de Algostinho (354 a 430 )


"Agostinho pôs-se a meditar sobre o assunto e redigiu o diálogo; Contra os Acadêmicos, reabilitando, através de engenhosa argumentação, os sentidos como fonte de verdade. O erro ; diz ele: provém dos juízos que se fazem sobre as sensações e não delas próprias. A sensação enquanto tal jamais é falsa. Falso é querer ver nela a expressão de uma verdade externa ao próprio sujeito."